A tarefa B7 do curso TDMA solicita pesquisar e indicar um exemplo de utilização inovadora de tecnologias digitais e metodologias ativas. Já a tarefa B8 solicita realizar uma "análise de uma prática com uso ou possibilidades de uso de metodologias ativas". Desse modo, escolhi realizar as duas atividades sobre o mesmo caso encontrado, dado seu interesse. (NOTA: a versão mobile do blogger está com um bug desde a última atualização, e os vídeos inseridos não aparecem nessa versão. Por isso, deixei os links também em palavras próximas ao ponto de cada vídeo, que aparecem com outra cor. Clicando, seu navegador abrirá outra janela para exibir o vídeo)
Gastei um tempo procurando exemplos pela internet; muitos usos interessantes de tecnologias já foram feitos com propostas educacionais. Entretanto, fiquei um pouco preso ao termo inovador mencionado no enunciado da tarefa e, nesse sentido, nenhum exemplo me parecia inovador de fato.
Passado o tempo, me veio à lembrança um vídeo que assisti um bom tempo atrás, e daí surgiu aquela luzinha de conexão de ideias. Lembrei do vídeo, e ele me fez voltar à minha área, o que não estava sendo uma preocupação até então. O vídeo que me veio à lembrança foi esse:
Trata-se de uma animação que ilustra visualmente diversos aspectos da música que está sendo reproduzida, o primeiro movimento da Sinfonia no. 5 do compositor alemão Ludwig van Beethoven.
Quando assisti pela primeira vez, achei bastante interessante, mas não conhecia ainda o conceito de metodologias ativas, e não atentei para o potencial didático dessa animação. Ao ver novamente hoje, tudo isso se conectou, e enxerguei esse vídeo como um excelente recurso didático audiovisual para tratar de alguns aspectos de teoria e de composição musicais. Mesmo não sendo essa a proposta original do vídeo - educação musical ou a realização de um material didático específico -, percebe-se que o autor tem, no mínimo, grande sensibilidade musical e de percepção dos fenômenos sonoros, o que me leva a crer que ele tenha algum grau de formação em música. No vídeo, podemos entender visualmente conceitos referentes à polifonia, a progressões, a dinâmicas e, no todo, ao próprio discurso musical. A visualização de fenômenos sonoros, como colocados nessa animação, pode auxiliar o estudante de música até mesmo no processo de melhorar sua escuta musical.
Assim, embora seja "apenas" uma animação, e "apenas" um vídeo, esse material tem um potencial de auxiliar enormemente um professor de música que precise trabalhar determinados aspectos teóricos com seus alunos, podendo levar o vídeo a uma aula presencial, utilizá-lo para um trabalho de apreciação, ou em uma videoaula. É um recurso digital que propõe um desprendimento do modelo tradicional de ensino de teoria e/ou composição musicais, apresenta diversos aspectos sonoros até mesmo complexos de maneira didática e prazerosa, e convida o aluno a explorar mais materiais dessa natureza, estimulando até mesmo sua criatividade. Nesse sentido, portanto, é algo que se encaixa no próprio conceito de metodologia ativa.
Pesquisando um pouco, cheguei ao canal do YouTube onde o vídeo acima foi originalmente postado, e assim conheci um pouco mais do trabalho de seu criador. O nome do canal é Doodle Chaos, e tem essa proposta curiosa de sincronizar música com algum tipo de trama visual, sejam animações simples, sejam clipes gerados a partir de jogos, ou até mesmo mecanismos e arrumações físicas de objetos e instrumentos.
Um outro exemplo bastante interessante do trabalho com potencial educativo deste canal, é o vídeo abaixo. Ele foi feito a partir de um jogo atual chamado Minecraft, um jogo que está em alta e é uma das febres entre adolescentes e jovens adultos. A partir de uma abertura no mundo do jogo, nos são apresentadas as abelhas, e a seguir o piano, que reproduz a música O voo do besouro, do compositor russo Nikolai Rimsky-Korsakov:
O que é fascinante nesse vídeo é a aproximação de linguagens em princípio totalmente distantes: um game da moda do século XXI e uma obra hoje chamada erudita da Rússia de fins de século XIX. Um jovem hoje pode facilmente vir a se interessar por essa música, pelo piano do vídeo e por derivações a partir da simbiose disso tudo com uma linguagem que já lhe é familiar: o jogo.
E, como exemplo final, destaco algo similar que acontece no vídeo a seguir:
Aqui, as esferas vão brotando e atingindo o teclado nas notas corretas, referentes à música que está sendo tocada, o Noturno Op. 9 n. 2 do compositor polonês Frédéric Chopin. As esferas verdes representam o que a mão direita do pianista toca, nesse caso a própria melodia da música, e as esferas azuis representam o acompanhamento, os acordes, tradicionalmente executado pela mão esquerda. Essa animação didática dos eventos musicais já é algo bastante interessante em termos educacionais, pensando em alunos de piano, por exemplo, ou até mesmo em alunos de outros instrumentos que, a partir desta animação, podem entender melhor como se estabelece a prática de uma execução ao piano. A animação, entretanto, nos oferece um elemento extra, o qual, embora seja ilustrativo apenas, complementa o todo de maneira bastante poética: as esferas, ao saírem do teclado, vão se agrupando de maneira aparentemente aleatória na porção inferior da tela, até que nos damos conta de que elas estão formando uma imagem, como em uma técnica de pontilhismo na pintura, e em certo ponto percebemos que se trata da reprodução de um retrato de Chopin.
Esse tipo de abordagem traz em si dois aspectos que considero essenciais no processo de ensino/aprendizagem, além do próprio conteúdo: a) elementos que podem conquistar a atenção e o interesse dos alunos, e, a partir daí, b) proporcionam inspiração aos mesmos, no sentido de refletir sobre aquilo tudo, o que pode fazê-los buscar, espontaneamente, por mais exemplos do mesmo tipo de abordagem e do mesmo conteúdo, o que, provavelmente, é a ambição máxima de qualquer professor.
PS: um agradecimento à minha amiga Aline Marques, que, no momento certo, fez-me lembrar do primeiro vídeo aqui postado, e me feito acender aquela luzinha de conexão de ideias.
Incrivel seu percurso! Obrigada por compartilhar de modo tão qualificado e nos ajudar a ter ideias novas tbm. Amei!
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